A Sociedade Maníaco-depressiva na Pandemia do COVID-19

Atualizado: Mai 5


Talvez muitos questionem o título dado a este texto, já que não tenho a intenção de dizer a todos como devem lidar com esta pandemia. Não tenho opinião formada sobre como cada um deve lidar com o isolamento social ou dicas de exercício, como manter o equilíbrio físico-mental-familiar, pois não acredito que o que serve para mim, servirá para os outros.

No entanto, não posso deixar de acompanhar a exuberância de atividades que assolaram as redes sociais, mais do que nunca, cheia de conselhos, fórmulas magicas e dicas infalíveis de passar pela pandemia. A abundância de textos, vídeos, entrevistas sobre a COVID-19, na verdade, adiaram minha escrita, ao invés de estimulá-la, como tantas vezes me acontece quando diante de um fato novo em nossa sociedade ou cultura.

Talvez minha natureza introvertida tenha se chocado com a pró atividade quase maníaca de algumas pessoas, que começaram a produzir uma quantidade de conteúdos quase sufocantes, como se já não bastasse a avalanche de notícias e informações sobre a pandemia ao redor do mundo, que monopolizou os canais de informação de uma maneira maciça.

O Corona vírus mexeu com nossas vidas de uma maneira jamais imaginada, o curso de nossas vidas, de nossas rotinas, foi alterado de uma maneira tão abrupta, que o processo de elaboração veio após as primeiras ações que foram tomadas, como a imediata migração para home office (para quem pode...), interrupção da jornada de trabalho para muitos, fechamento de escolas e creches e o temor do colapso da economia, do abastecimento e o risco do desemprego para alguns, a certeza do desemprego ou da perda total de renda, para muitos.

A pandemia escancarou a desigualdade social em que vivemos, não porque não tínhamos conhecimento de que a desigualdade em nosso país chega a ser genocida, mas pelo número absurdo de pessoas que, de uma hora para a outra, deixaram de ter o que comer.

Talvez a grande surpresa, para alguns, tenha sido a imediata rede de solidariedade que se formou. Enquanto se anunciava a preocupação de que a pandemia atingisse as favelas e as populações mais suscetíveis, viu-se uma organização de uma rede de apoio, cuidado e auxílio emergencial surgida dentro das comunidades mais carentes, numa demonstração de empatia e senso prático digna de grandes governantes.

Com certeza, esta será uma das inúmeras grandes lições a serem tiradas desta tragédia que estamos vivendo. Aqueles que, de certa forma, sempre estiveram mais vulneráveis, também são aqueles que tiveram a oportunidade de desenvolver a resiliência e a compaixão pelo próximo. Aquele que conhece a dor da fome, do desamparo e do abandono identifica o sofrimento do outro de maneira instantânea, e parte para a ação, pois quem tem fome, tem pressa, quem tem dor, precisa de cuidados imediatos. E assim tem sido feito em várias comunidades.

Enquanto isso, em bairros nobres e elegantes da cidade, vários cidadãos continuam reunindo familiares e amigos, em pequenos grupos, ou até mesmo em festas, afinal, as pessoas que se julgam acima do bem e do mal, ou até mesmo do vírus, continuam a manifestar sua onipotência maníaca.

Aliás, temos oscilado entre a negação maníaca do problema, algumas vezes até de maneira sociopata, de que o Corona vírus não passaria de uma gripezinha, e que todas as medidas de cuidado e proteção da transmissão, sugeridas pela Organização Mundial da Saúde, seriam exageradas ou absurdas, como se a OMS fosse uma Cassandra enlouquecida desacreditada por um deus abusivo, como no mito. A Hybris de alguns governantes atinge o nível da irresponsabilidade genocida, já que muitos os seguem sem nenhum senso crítico, ou com um senso crítico baseado em crenças e ideias cristalizados pela hybris.

Nos bastidores, temos uma depressão e ansiedade coletivas ativadas pela incerteza do presente e sobre o futuro. Fatores depressivos individuais e coletivos se misturam e se alternam, num ir e vir entre as razões pessoais e coletivas do mal-estar vigente em nossa civilização. Sabemos que as defesas maníacas são uma tentativa desesperada de lidarmos com a depressão e a tristeza, então nos dispomos a usar o isolamento social para fazermos varias cursos on-line, aprendermos uma nova língua ou habilidade profissional, afinal, como diz uma das mais abomináveis frases que tenho lido nas redes sociais “se você não sair desta pandemia com pelo menos uma nova habilidade, então nunca foi falta de tempo, e sim de vontade”, ignorando a realidade de cada individuo e imprimindo mais um estereótipo de coaching, autoajuda ou, na minha humilde opinião, repetição de uma frase típica de relações abusivas, onde o outro é considerado incapaz por não atender a demanda irrealista que lhe é atribuída.

Nossa vida pessoal, de uma hora para a outra, foi invadida pelo trabalho, pelas aulas virtuais para os estudantes e para os pais de crianças em idade escolar. Rotinas domésticas, que antes se alternavam com atividades exercidas dentro ou fora de casa contaminaram as relações pessoais e roubaram do lar o status de espaço de repouso e acolhimento. Héstia, a deusa grega responsável pelo conforto do lar, do descanso, da alimentação, da recuperação das energias do trabalhador e do viajante, foi vilipendiada. Seu espaço sagrado foi invadido por trabalho, estudo, reuniões de negócios, e até mesmo por uma demanda de comida e cuidados que não respeitam os horários de descanso e de lazer. Aliás, o alimento passou a faltar ainda mais em muitos lares, onde as refeições fornecidas pelas escolas e refeitórios empresariais eram a base da alimentação de muitas famílias de baixa renda.


Cassandra

A psicoterapia presencial vira online, assim, no susto, de um dia para o outro!

Após 40 dias de isolamento social, atendendo meus pacientes exclusivamente online, observo que características do atendimento exclusivamente online se apresentaram imediatamente após a transição do atendimento presencial para o online.

Minha primeira experiência com atendimentos não presenciais se deu após minha mudança para a Alemanha, em 2006, quando alguns pacientes que eu atendia na época, se recusaram a aceitar o encaminhamento que fiz a colegas, e continuaram a terapia, mesmo a distância, mesmo isto não sendo tão comum naqueles tempos, onde os recursos tecnológicos não eram tão abundantes e precisos como agora. Sempre me chamou a atenção a intensidade das sessões online, onde quase não há rituais de chegada e de despedida, no máximo nos certificamos de que estamos ambos sendo ouvidos e vistos com clareza. Sim, ver e ouvir continuam sendo fundamentais nas sessões online, e gostaria de ressaltar que as sessões apenas via chat são muito insuficientes neste quesito, pelo menos na minha experiência pessoal. Falta o tom de voz, a pausa, o desvio do olhar, que mesmo através do microfone e da câmera, ainda implicam em ver e ser visto, no sentido Winnicottiano do termo.

Protegidos pelo frágil distanciamento da vídeo chamada, segredos, vergonhas, traumas de todo tipo, que outrora apenas circum-ambulavam as sessões, despem-se de maneira sincera e corajosa, tornando o processo terapêutico ainda mais intenso e profundo, certas vezes ate mesmo acelerando o processo, já que as defesas psíquicas parecem se afrouxar durante este pseudo distanciamento.

Não quero com isto fazer apologia de que a psicoterapia online é melhor do que a presencial, mas que ela tem valores inimagináveis, ah, isso tem!

Sempre me incomodou a afirmação de alguns colegas que tratavam a psicoterapia online como algo “menor”. Se é considerada uma psicoterapia “menor”, por que a praticar? Por dinheiro, conforto, comodidade? Considero isto, no mínimo, antiético, não é mesmo?

Mesmo pacientes que não acreditavam na eficácia das sessões online, rapidamente se renderam ao fato de que a perda da qualidade do processo terapêutico não aconteceu.

Hoje temos muitos recursos terapêuticos que compõem a psicoterapia, como expressões artísticas, sandplay, imaginação ativa, entre outros. Apesar de vários recursos psicoterápicos poderem ser adaptados ao atendimento online, eu sempre me pergunto até que ponto esta parafernália de acessórios e técnicas psicoterapêuticas que utilizamos estão a serviço do paciente ou de nós mesmos. Cansei de ver colegas se utilizando de recursos terapêuticos de maneira excessiva, perdendo o foco no caso em questão, algumas vezes até utilizando estes recursos como maneira de sedução dentro do processo terapêutico, criando uma sensação de importância inoportuna, tanto do terapeuta, quanto do cliente. Ou talvez esta seja apenas a minha fantasia de que o uso excessivo de técnicas auxiliares seja uma compensação sobre a dificuldade que é estar presente e inteiro com um paciente que muitas vezes nos leva a níveis de imersão psíquica que não estamos preparados para atingir. Fica registrada minha reflexão.

As fases de aceitação e negação do isolamento social


Hoje estou em isolamento social há quase oito semanas, porém, alguns pacientes já haviam iniciado o home office na semana anterior à minha, seja porque havia tido contato com algum paciente confirmado do Corona vírus, ou porque na empresa onde trabalhavam houve relato de algum caso, ou porque alguém de sua rede social estava hospitalizado com diagnóstico confirmado. Devo dizer que meus pacientes me alertaram para a necessidade do isolamento social antes dos nossos órgãos oficiais, e sou muito grata a estes pacientes que foram generosos e optaram por não colocar a minha saúde, e de outras pessoas das suas (e minhas) relações em risco.

Observo que a postura perante a pandemia e o isolamento social tiveram algumas semelhanças desde a semana 1 (09 a 15 de março), observo ainda que, as notificações oficiais datam de 13 de março, sendo que algumas empresas já haviam deliberado que seus funcionários deveriam começar a se cuidar, e liberaram o home office como opcional em alguns casos, e já obrigatório em outros.


Semana 1 – 09 a 15 de março


As pessoas que foram expostas de alguma maneira estavam assustadas, chegavam no consultório e iam direto lavar as mãos, já não me cumprimentavam de perto, optaram por sentar na poltrona mais distante, estavam extremamente ansiosas, mas felizes com a possibilidade de home office, neste momento, proposto para as duas ou três semanas seguintes. O home office parecia um Paraíso, onde se sentiriam protegidos. Os problemas da pandemia ainda pareciam um tanto quanto distantes, projetados nos problemas apresentados em outros países, mas certamente um temor estava pairando no ar.


Semana 2 – 16 a 22 de março


As pessoas, embora assustadas, estavam otimistas, vamos fazer nossa parte, afinal duas semanas passam rápido! Alguns já vislumbravam que as duas semanas seriam muito mais que duas, e já passaram a se preocupar em criar estratégias de sobrevivência, fazendo ajustes domésticos e de relacionamento, como divisão de tarefas e de espaço de trabalho dentro de casa. Alguns estavam otimistas, proativos, numa produtividade acelerada, tanto do trabalho profissional, quanto nos cuidados com a casa e a alimentação.


Semana 3 – 23 a 29 de março


O cansaço da rotina, onde trabalho e casa se misturam, a falta de lazer e da separação dos ambientes, que costumavam determinar quando era hora de trabalhar, de relaxar, de se divertir, começa a ser sentida. Exercícios físicos, que haviam sido negligenciados, ou por acharem que era só uma fase, ou pela sobrecarga de atividades, volta a ser considerado importante para muitos. No entanto, a carga de trabalho de muitas pessoas aumentou sensivelmente, seja porque a demanda de trabalho aumentou, já que muitas empresas e funcionários tiveram que diversificar suas formas de inserção e manutenção no mercado de trabalho, neste caso, o exercício físico passou a ser também uma forma de aliviar o stress e se voltar para a saúde como um todo.


Semana 4 – 30 de março a 5 de abril


A ilusão de que tudo “iria passar” passa a ser confrontada com a realidade dos fatos. Estamos diante de um novo “normal” que ninguém sabe aonde irá nos levar. O luto pela rotina perdida, pelos familiares e amigos hospitalizados, a notícia da morte de algum conhecido, as notícias alarmantes dos telejornais e das redes sociais levam a uma apatia e ansiedade, ao mesmo tempo em que traumas são reativados. Memorias de traumas, perdas e lutos são reativadas com grande intensidade, não apenas em relação ao passado, mas ao luto em relação aos planos futuros, antes ilusoriamente adiados por algumas poucas semanas, alguns agora adiados de forma indefinida. O medo perante a incerteza de um mundo que deixou de ser um parâmetro, o sentimento de privação de liberdade traz à tona crises de adolescência tardia e desejos de transgressão, não apenas do isolamento social, mas dos relacionamentos familiares, tantas vezes insatisfatórios.


Semana 5 – 6 a 12 de abril


Constatação de que estamos vivendo “um novo normal” traz atualizações nos contratos de trabalho, de relacionamento e das expectativas sobre o futuro. Enquanto algumas pessoas reforçam as defesas maníacas de negação da pandemia, de minimização dos riscos da quebra do isolamento social como medida protetiva mais eficaz, observa-se uma queda acentuada na adesão do isolamento social, o que leva ao crescimento do número de pessoas contaminadas, hospitalizadas, e consequente aumento do número de óbitos. Por outro lado, pessoas que antes apenas obedeciam as orientações da OMS por uma questão de obediência social, aprimoram a consciência de seu papel social durante a pandemia, e pessoas que antes não eram engajadas em causas sociais, começam a se mobilizar, sensibilizadas pelas filas absurdas de pessoas expostas, na tentativa de receber a ajuda emergencial disponibilizada pelo governo. Enquanto a consciência social de alguns, antes cegos, começa a despertar, a de outros seres raivosos ou frustrados com suas perdas financeiras ou pessoais desafiam as orientações da OMS e passam a desrespeitar ainda mais as suas diretrizes.


Semana 6 – de 13 a 19 de abril


Nova onda de otimismo assola alguns grupos, redes de solidariedade tentam salvar estabelecimentos comerciais e restaurantes, empregados e patrões tentam se unir para salvar o bem comum a todos, porém a discrepância das condições de enfrentamento da pandemia é forte demais para ser ignorada. Enquanto algumas pessoas desfrutam tranquilamente do home office numa casa espaçosa, confortável, com comida mais do que suficiente à disposição, parte da população já não tem mais o que comer. Vários profissionais começam a ser coagidos a voltar ao trabalho, mesmo que isto signifique se colocar em risco de contágio, e parte sai as ruas simplesmente porque precisa optar entre morrer de fome ou se arriscar a morrer por causa do Corona vírus.

Semana 7 – de 20 a 26 de abril


Parte das pessoas está totalmente adaptada à nova realidade, parte questiona a velha realidade e decide que mudanças circunstâncias devem se tornam definitivas, como revisão dos valores de consumo, de qualidade de vida, satisfação com o trabalho e organização familiar. Nada será como antes para várias pessoas. Cresce a consciência, para muitos, de que viviam num piloto automático de trabalho/consumo, e a pandemia as fez refletir sobre seu modo de vida anterior. A percepção de que não somos donos de nosso próprio destino tem ajudado muita gente a assumir o risco de uma mudança que antes parecia ser destinada a ser adiada indefinidamente.

Semana 8 – de 27 abril a 2 de maio


Aqui gostaria de resumir uma parte do processo de mudança que observo ter-se aglutinado durante as mudanças de paradigma causadas pela pandemia, e que foram amadurecendo ao longo do processo, e aqui me permito mesclar observações sobre meus próprios pacientes e casos por mim supervisionados, mas também amigos, familiares e nas redes sociais:



1- Cresce a consciência de que a decisão de um único individuo cria uma onda de consequências capaz de afetar a todos nós, tanto para o bem, quanto para o mal;

2- A necessidade de separar o joio do trigo, tanto em relacionamentos pessoais, quanto profissionais, deixa de ser uma opção. A possibilidade de adoecer, morrer, ou perder um ente amado tem exacerbado a necessidade de abandonar as relações toxicas;

3- A vida, digamos, “extrovertida”, deixa de ser uma distração, obrigando as pessoas a encararem relacionamentos abusivos, tentando transformá-los ou abandoná-los;

4- Relacionamentos antes considerados descartáveis ou menos satisfatórios, retiradas as distrações da vida social intensa, mostraram-se mais satisfatórias e desejáveis do que anteriormente;

5- A persona perde importância, na medida em que, durante o isolamento social a que estamos submetidos, as aparências cedem lugar para a essência dos afetos e dos cuidados;

6- A sombra pessoal e coletiva fica escancarada para análise, queiramos ou não...;

7- O valor da empatia e da compaixão também ficam escancarados, queiramos ou não...;

8- O narcisismo de alguns líderes, bem como a adequação das atitudes de outros líderes, antes desacreditados, se relativiza pelo resultado positivo ou negativo de suas ações;

9- O preconceito contra a psicoterapia online está sendo confrontado, mesmo que por razoes egoístas e de sobrevivência, já que muitos psicoterapeutas ficaram sem opção, ou aderem ao atendimento online, ou ficam sem trabalhar, no futuro saberemos se esta postura mudou de fato, ou se foi mero oportunismo;

10- E para encerrar, relembro meu texto: De Boas Intenções o Inferno está cheio, e nesta pandemia catastrófica em que estamos imersos, talvez tenhamos a oportunidade de avaliar com atenção, e sem preconceitos, quais as boas ações que cumprem seu papel, e quais aquelas que não passam de uma persona da caridade.

A solidão e o sentimento de abandono durante a pandemia




Não seria possível continuar este artigo sem antes refletir sobre os impactos do isolamento social na vida de todos nós. Mesmo as pessoas que habitam com a família ou amigos viram seu círculo restrito. Se antes podíamos interagir com outras pessoas no trabalho, na escola e nos encontros de lazer, e voltar renovados para o encontro de nossos familiares, isto nos foi tirado. Relacionamentos familiares, até mesmo os mais equilibrados, ficaram sobrecarregados pela carga emocional que o isolamento acabou por trazer a cada membro, podendo isto tanto estreitar, quanto exaurir nossas forças.

A solidão daqueles que já viviam só, mesmo para os introvertidos, adquiriu uma outra conotação. É muito diferente estar sozinho por opção, e deixar de estar quando bem nos aprouver, do que estar só sem nenhuma alternativa possível. Devemos considerar que as pessoas que optaram, ou foram levadas pelas circunstâncias a morarem sozinhas, perderam a possibilidade de convívio presencial, antes disponível nas atividades exercidas anteriormente.

Ainda se faz necessário falar do sentimento de solidão e abandono, tantas vezes presentes em nós, independentemente das circunstâncias externas em que vivemos, já que raramente algum de nós passa pela vida sem experimentar sentir-se só ou abandonado, mesmo que numa fração de segundo. Se nos atermos ainda aos traumas e graves feridas de solidão e abandono que muitos experimentaram durante a vida, a pandemia reativou estes traumas e sentimento de abandono a níveis alarmantes.

Pesadelos de abandono, de catástrofe natural, de assaltos, estupros, invasões, acidentes de carro, de avião, com navios naufragando, enfim, tragédias pessoais e coletivas, as mais variadas, invadiram os sonhos ate mesmo de pessoas que, teoricamente estariam seguras, confortavelmente instaladas e vivendo num isolamento social que aparenta ser até bastante equilibrado. Várias pessoas estão tendo pesadelos solidários ao sofrimento de muitas pessoas, povos e países, que se iniciaram alguns meses antes do primeiro caso na China.

Pesadelos de infância estão sendo relembrados, traumas que pareciam, pelo menos até certo ponto elaborados, são reativados. Novos traumas se juntam aos anteriores, formando uma rede de memorias passadas e atuais que se misturam ao medo do futuro, que parece mais incerto do que nunca para muitos.

A ilusão de que se tem algum controle pela própria vida e destino foi por água abaixo, salvo pela ativação do arquétipo do herói suicida, que acredita que pode encarar o vírus de frente, e sem máscara, afinal, máscara é para os fracos...

Estamos vivendo uma época especial, onde a não-ação é algo mais próximo de uma atitude heroica que somos capazes de realizar, o que vai contra tudo que nos foi ensinado na vida, afinal, ser pró-ativo foi o lema do século XX e desse início de século XXI.

Talvez seja a hora de nos desapegarmos do comportamento maníaco, que se move pra todos os lados, e de fato não produz nenhuma mudança, e nos atermos a nossa transformação pessoal, desapegando-nos da atitude heroica individual, e desenvolvermos a empatia e resiliência necessárias para construirmos o novo mundo novo, onde uma profunda mudança de paradigma deixou de ser opcional, tornou-se emergencial.

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Algumas referências bibliográficas:

Barret, Deirdre, - The Commitee of Sleep – Oneiroi Press

Trauma and Dreams – Harvard University Press


Bertolotto Schneider, Solange – De Boas Intenções o Inferno está cheio https://www.solangeschneider.com/de-boas-intencoes-o-inferno-esta-ch

- Atendimento online - Razão e Preconceito

https://www.solangeschneiderpsicologia.com/atendimento-online

https://www.solangeschneiderpsicologia.com/online-psychotherapy


- A Verdade no processo analítico - Editora Initia Via


Campbell, Joseph – O herói de mil faces – Cultrix/Pensamento São Paulo


Daniel, Renate – Taking the Fear Out of the Night – Coping with Nightmares – Daimon Verlag


Freud, S. (1917 [1916-17]). Teoria Geral das Neuroses - Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas de Sigmund Freud.Rio de Janeiro: Imago


Guggenbuhl-Craig, Adolf – - O Abuso do Poder na Psicoterapia e na Medicina: Serviço Social, Sacerdócio E Magistério


Jung, C. G., - CW7 – Two Essays on Analytical Psychology

CW9/1 - A Natureza da Psique. Petrópolis: Vozes, 2000.

CW16 – A Prática da Psicoterapia

Winnicott, Donald W. - Maturational Process and Facilitating Environment - London:Karnak Books

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