Sintoma e Símbolo

O sintoma, ou as reações psicossomáticas sempre foram ferramentas importantes para o diagnóstico e avaliação do tratamento médico e psicológico, desde os primeiros estudos sobre a histeria até os dias de hoje.

 

 Freud descreveu que os sintomas se desenvolvem como um sinal do antagonismo entre os conteúdos do inconsciente e da consciência carregados de emoção, por traumas e ou por mecanismos de defesa, isto é, o sintoma era um símbolo mnemônico relacionado a eventos traumáticos, causados por fatores externos, como resultado da tensão gerada pelos mecanismos de defesa atuantes.  

Para Winnicott, mesmo uma mãe suficientemente boa pode não ser boa o suficiente para um bebe em particular, pois um arquétipo pode se manifestar de maneiras diferentes para um mesmo símbolo, ao que cada indivíduo, desde a mais tenra idade, pode reagir de maneira diferente, de acordo com sua sensibilidade. Neste caso, o trauma é uma tentativa fracassada de adaptação ao ambiente pelo ego, criando um conflito que  leva a uma neurose, à dissociação entre o afeto e a idéia, levando ao sintoma ou a doenças  psicossomáticas.

 

Jung considerou que a disposição constitucional do indivíduo e da estrutura da psique tem um papel importante para a aparição dos sintomas e suas conexões com os complexos autônomos  e sua autonomia. 

 

Para Jung, o sintoma é uma manifestação simbólica dos complexos inconscientes e pode ter um aspecto positivo, a fim de trazer à consciência o símbolo a ser elaborado. Sintoma e doenças psicossomáticas são símbolos dos complexos inconscientes e pontes entre consciente e inconsciente. Jung critica a teoria da repressão de Freud, observando que os complexos não são apenas  conteúdos reprimidos que anteriormente tinham sido conscientes, mas, em muitos casos, sao uma atividade autônoma e espontânea da psique.

 

Para Jung, os arquétipos são expressos pela imagem simbólica e pelas suas polaridades. Um símbolo é elaborado com uma tendência a ter apenas um de seu aspectos abordado, porém a psique tem uma tendência natural de auto-regulação, de modo a constelar o aspecto oposto e inconsciente  do símbolo, tentando levar a energia psíquica a um equilíbrio, quando isto não acontece um sintoma neurótico pode ser formado.

 

O mais importante reside no fato de que o sintoma neurótico ou doença psicossomática deve ser um estimulador para o processo de individuação, não necessariamente algo a ser evitado, mas algo a ser elaborado e integrado à personalidade.

 

Jung vê a neurose, a depressão ou doença psicossomática como uma importante oportunidade de levar o indivíduo a prestar atenção em si mesmo, estes sintomas, quando tratados, iluminam o caminho da individuação.

 

                                                       Referencias Bibliográficas

 

 

 

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SHAMDASANI, Sonu (2003) - “Jung and the Making of Modern Psychology. The Dream of a Science” - Cambridge University Press, New York

Solange Bertolotto Schneider

 

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